quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Distúrbios na aquisição da linguagem e suas implicações na alfabetização.





Linguagem e epilepsia

Os efeitos da epilepsia, das crises convulsivas e das descargas eletroencefalográficas sobre a linguagem tem sido discutidos em diversos estudos. Pode-se dizer que três são os distúrbios mais relatados em pacientes epilépticos: as disfasias do desenvolvimento associadas à epilepsia; as afasias críticas (agudas), onde ocorre uma alteração transitória da função cognitiva; e a afasia epiléptica adquirida (síndrome de Landau Kleffner). A afasia epiléptica adquirida é caracterizada pela deteriorização da linguagem na infância associada a crises ou atividades eletroencefalográfica epileptiforme anormal. Esse tipo de afasia muitas vezes é confundido com síndrome autística ou deficiência auditiva. Além da deteriorização da linguagem e da agnosia auditiva, observam-se alterações de comportamento, incluindo traços autistas. Por isso, devemos estar atentos a qualquer criança que apresente regressão de linguagem, devendo esta ser avaliada cuidadosamente (para que seja feito um diagnóstico diferencial) e encaminhada para o tratamento adequado.


Jornal de pediatria/Sociedade brasileira de pediatria.

A idade certa para seu filho aprender novos idiomas


O cérebro, até os 4 anos de idade, funciona como uma biblioteca. Quando o bebê nasce, começam a chegar os livros – informações e experiências –, mas ainda não há ninguém para organizar o material. Isso porque o hipocampo, parte responsável pela memória de longa duração, não está completamente desenvolvido. O "amadurecimento" acontece entre 4 e 6 anos. Ele será, então, a bibliotecária.

Antes da formação do hipocampo, a criança pode até aprender palavras em inglês, decorar a tabuada e o nome das letras do alfabeto, mas não vai conseguir se lembrar depois. "Não faz sentido, então, bombardeá-la com informações, já que elas vão se perder", diz o doutor em Física Médica Marcelo Mazza, especialista em redes neurais.

Até os 6 anos, explica Mazza, a criança aprende diferentes línguas de maneira uniforme, como se elas fossem um pudim. "Se for exposta a três idiomas, as relações semânticas e sintáticas de todos estarão integradas, e ela terá facilidade de usar os três ao mesmo tempo", diz. Depois dos 6, cada língua é separada em uma estrutura diferente. "Em vez do pudim, temos waffers", afirma o especialista. Cada idioma novo faz interface com o antigo, em camadas. Por exemplo: se você aprende inglês, a interface será com o português. Se, mais tarde, você aprende francês, a interface será com o inglês, não com o português. É por isso que, no curso de francês, por exemplo, você se lembra primeiro da palavra em inglês, para depois lembrar dela em português.

Com o passar do tempo, o cérebro se "compromete" com a língua materna, dificultando o aprendizado de outro idioma. E, se aprendermos um segundo idioma, teremos facilidade no próximo, pois o cérebro já "descobriu" que existem outras possibilidades de estruturar frases. Então, quanto antes seu filho estudar uma nova língua, melhor? Não. A janela de oportunidades, como os cientistas chamam o período mais propício para aprender algo, no caso, línguas, é ampla – vai até a puberdade. Assim, a criança que iniciou o curso de inglês aos 8 anos não está em desvantagem em relação àquela que estuda o idioma desde os 6 anos, por exemplo. Por isso, não há por que acelerar o passo do seu Einstein das línguas.

Rara síndrome do sotaque estrangeiro atinge mulher após acidente de carro


Leanne Rowe nunca esteve na França, mas depois de um sério traumatismo craniano passou a falar com forte - e involuntário - sotaque francês

Depois de sofrer um grave acidente de carro, uma australiana acordou falando com sotaque francês - mesmo sem nunca ter ido à França -, o que a deixa ansiosa, deprimida e com vergonha de se pronunciar em público. Leanne Rowe sofreu um sério traumatismo craniano em uma colisão de trânsito há oito anos, o que a deixou com parte da coluna e a mandíbula quebradas. Desde então, ela passou a sofrer com a síndrome do sotaque estrangeiro, uma condição raríssima em que o paciente fala sua língua nativa com sotaque de outro país contra a própria vontade. As informações são do Mirror Online.


"Lentamente, enquanto minha mandíbula começava a se recuperar, disseram que eu estava enrolando as palavras porque estava sob efeito de comprimidos muito fortes", afirmou ela à Australian Broadcasting Corporation (ABC). "Hoje isso me deixa com muita raiva porque sou australiana. Não sou francesa, apesar de não ter nada contra eles", afirmou a mulher, natural da Tasmânia.

Durante a recuperação, enquanto sua capacidade vocal começava a melhorar, Leanne descobriu que as palavras balbuciadas por ela começaram a soar como se ditas por um francês - e é com esse sotaque que ela tem falado desde então. A condição deixou a australiana em uma espécie de reclusão, já que ela evita o contato com outras pessoas e pede para a filha falar por ela em público. "Prefiro a noite porque é mais pacífica, não tem muita gente por perto", revelou.

O médico responsável por cuidar dela, Robert Newton, acredita que Leanne é apenas o segundo caso na história da Austrália de alguém que sofre com a síndrome do sotaque estrangeiro. "Ela tinha um sotaque australiano normal durante todo o tempo que a conheci (antes do acidente, enquanto cuidava da família). Ela cursou francês na escola, mas nunca esteve na França, não tem nenhum amigo francês", disse o médico à ABC.

Acredita-se que apenas 60 pessoas em todo o mundo sofram com a síndrome do sotaque estrangeiro, que está ligada a danos na parte do cérebro que controla a fala. O primeiro caso conhecido foi registrado em 1907.
Portal Terra <http://noticias.terra.com.br/ciencia/rara-sindrome-do-sotaque-estrangeiro-atinge-mulher-apos-acidente-de-carro,af26d559b125f310VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html>

Distúrbios na aquisição da linguagem e suas implicações na alfabetização.



Etiologia dos distúrbios da língua oral e escrita

A fala caracteriza-se habitualmente quanto à articulação, ressonância, voz, fluência/ritmo e prosódia. As alterações da linguagem situam-se entre os mais frequentes problemas do desenvolvimento, atingindo 3 a 15% das crianças, e podem ser classificadas em atraso, distorção e desvio.

Atraso – A progressão na linguagem processa-se na sequência correta, mas em ritmo mais lento, sendo o desempenho semelhante ao de uma criança de idade inferior.

Dissociação – Existe uma diferença significativa entre a evolução da linguagem e das outras áreas do desenvolvimento.

Desvio – O padrão de desenvolvimento é mais alterado: verifica-se uma aquisição qualitativamente anômala da linguagem. É um achado comum nas perturbações da comunicação do espectro do autismo.

A etiologia das dificuldades de linguagem e aprendizagem é diversa e podem envolver fatores orgânicos, intelectuais/cognitivos e emocionais (estrutura familiar relacional), ocorrendo, na maioria das vezes, uma inter-relação entre todos esses fatores. Sabe-se que as dificuldades de aprendizagem também podem ocorrer em concomitância com outras condições desfavoráveis (retardo mental, distúrbio emocional, problemas sensório-motores) ou, ainda, ser acentuadas por influências externas, como, por exemplo, diferenças culturais, instrução insuficiente ou inapropriada.


Jornal de pediatria/Sociedade brasileira de pediatria

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Apropriação e Processamento da Leitura a da Escrita

Apropriação e Processamento da Leitura e da Escrita

A educação pré-escolar, ainda que de frequência facultativa, é o primeiro degrau de um longo caminho educativo com um peso decisivo no sucesso escolar e social dos jovens, e o jardim de infância configura-se como um espaço de tempo privilegiado para aprendizagens estruturantes e decisivas no desenvolvimento da criança. Nesse processo são inquestionáveis o papel e a importância da linguagem como capacidade e veículo de comunicação e de acesso ao conhecimento sobre o mundo e sobre a vida pessoal e social.

A linguagem escrita como uma das múltiplas linguagens da criança, procuramos enfatizar a importância de tratar esse objeto de conhecimento no contexto das demais linguagens.
Além disso, explicitamos os conceitos de alfabetização e letramento, que são a chave para compreender as questões que serão desenvolvidas.
Para entrar efetivamente nas questões relativas ao aprendizado da linguagem escrita pela criança.
Várias dúvidas devem estar rondando sua mente: “Qual o melhor método para esse aprendizado?”, “Como a linguagem oral interfere na aprendizagem da linguagem escrita?”, “O que vem antes, a leitura ou a escrita?”, “Que aspectos envolvem esse aprendizado?”, “Por onde começar?” etc.
Convido você a pensar no seu próprio processo de aquisição da linguagem escrita. Você se lembra de como foi alfabetizado (a)? Quando? Por quem? De que maneira? Lembra-se do que você já sabia quando ingressou no ensino fundamental? Que papel desempenhou sua família? Seus amigos? Sua passagem pela educação infantil? Quando você tomou consciência de que o mundo em que vivia poderia ser escrito ou lido? Que papel teve a cartilha? Que conhecimentos foram necessários para você aprender a ler e escrever? Em que momento você considera que estava realmente alfabetizado (a)? Quando as crianças chegam à escola, é fundamental que você saiba o que elas já conhecem e como aprenderam. Também é importante investigar o que querem aprender acerca da linguagem escrita e para que querem aprender a ler e a escrever. Você se surpreenderá com as respostas e, a partir delas, buscará caminhos insuspeitos para trabalhar esses conhecimentos.
A linguagem oral no processo de alfabetização
A linguagem oral (fala, escuta e compreensão) permeia quase todas as interações estabelecidas pelas crianças em suas práticas sociais. É assim que meninos e meninas se apropriam da cultura escolar, desde o ingresso na instituição.
É também por meio da fala que as crianças adentram na escola, levando consigo as marcas de sua classe social, de sua origem e identidade cultural, constituída por conhecimentos, crenças e valores.
É importante lembrar que a população brasileira fala de diferentes formas, em função dos espaços geográficos que ocupa, da classe social, da idade e do gênero a que pertence. Essas diferenças sintáticas, semânticas, fonéticas, morfológicas e fonológicas é que fazem a riqueza de nossa língua.
Sendo assim todas essas variedades são legítimas e corretas, já que não temos uma gramática normativa da linguagem oral como a que existe para a linguagem escrita.


Para que a escola possa efetivamente contribuir para a continuidade
do processo de aprendizagem das crianças e, ao mesmo tempo,
considerar alguns paradigmas da educação brasileira, como a inclusão e o
reconhecimento à diversidade, é necessário livrar-se de preconceitos,
relativos à fala das camadas populares, e acolher as crianças com toda a
bagagem cultural que trazem. Consequentemente, deve-se romper com
alguns mitos, que obscurecem seu olhar sobre o aluno – dentre eles, o de
que existe apenas uma forma correta  de falar –, e com a interpretação
equivocada de que a escrita é a reprodução da fala. Esse entendimento
leva alguns professores a querer que seus alunos reproduzam na escrita a
forma como falam, sem considerar que se tratam de duas modalidades
distintas de linguagem e que, portanto, envolvem aspectos diversos.
Saber falar bem não significa saber  escrever bem. Assim, existiriam
muitos modos de falar, que a escola  tem de respeitar, e um único modo
de escrever, que ela deve ensinar? Não é bem isso, ou melhor, não é
apenas isso; a escola deverá também ensinar a linguagem oral.


O aprendizado da linguagem oral na escola
Aprendemos uma língua ao ouvir, falar, ler e escrever. Portanto, é
muito importante que essas ações sejam trabalhadas na escola, tendo em
vista suas inúmeras possibilidades, e tendo sempre como norte a
participação, cada vez maior, do sujeito na vida cidadã. É importante
lembrar que o aprendizado da linguagem oral envolve não apenas a fala,
mas também o entendimento, ou seja, ouvir com compreensão. E isso
também se aprende na escola a partir da ação atenta e efetiva do
professor, que deve buscar na prática pedagógica as situações em que é
preciso ouvir, compreender e interpretar.
Além disso, existem algumas situações comunicativas que devem ser
propostas pelo professor, pois ajudam a criança a estruturar seu
pensamento e adequar a linguagem oral ao contexto e ao interlocutor. O
uso mais formal da fala tem que ser  trabalhado em situações reais, em
que esse tipo de discurso faça sentido. Por isso, desde muito cedo, é
importante que o aluno participe de situações em que necessite planejar a
sua fala (tais como entrevistas, seminários, debates etc.), vendo-se como
produtor de textos orais.
Existem muitas coisas a se aprender na escola no tocante à
linguagem oral. Uma delas é a forma de falar em cada contexto,
considerando as características da comunicação, ou seja, adequar a fala
às diferentes situações comunicativas. Nesse sentido, é fundamental a
coordenação de o que falar e de como falar tendo em vista o interlocutor,
e também quem fala e por que fala  uma coisa ou outra. Assim, mesmo
respeitando as variações lingüísticas do aluno, a escola vai contribuir para
que ele aprenda a falar adequadamente, atingindo o objetivo desejado e
mostrando que cada instância exige um tipo de fala. A própria condição de
aluno determina alguns usos da linguagem oral inerentes à cultura
escolar.
É responsabilidade da escola, no papel de mediadora cultural,
enriquecer o repertório de textos orais dos alunos. Para isso, deve
possibilitar-lhes o acesso a textos que  constituem patrimônio cultural da
humanidade (como histórias, lendas, mitos, fábulas, poesias, parlendas,
trava-línguas, piadas, adivinhas, entre outros), possibilitando a vivência
das funções literária e expressiva da linguagem.
Vamos exemplificar essa afirmação  a partir de duas obras, recém lançadas, pela editora Scipione:  O Cravo e a Rosa e outros contos  e
Quadrinhas brasileiras.
Para explorar esses dois livros é muito importante instigar as crianças
a conhecerem a biografia do grande folclorista brasileiro Sílvio Romero.
Fale a respeito de sua vida e obra, destacando a forma como ele construiu
conhecimentos sobre as tradições brasileiras por meio de histórias,
cantigas, quadrinhas etc.


As crianças se identificam muito com esses tipos de textos, e muitos
já são conhecidos por elas desde muito cedo, pois são passados de pai
para filho e incorporados nas brincadeiras. Ao conversar sobre essas
produções, você pode recuperar as cantigas e as quadrinhas conhecidas e
socializar as brincadeiras folclóricas da comunidade em que vivem. Leia as
quadrinhas com as crianças, cante as cantigas de roda, peça-lhes que
façam desenhos a partir delas.
Além disso, é possível trabalhar com as belíssimas ilustrações de
Rosinha Campos, que, por si só, já instigam o aluno para o exercício da
oralidade, ou seja, cada página ilustrada pode ser objeto de muitas
conversas que, com sua intervenção, professor(a), possibilitam a
produção de textos orais muito significativos para as crianças.
Esses dois tipos de textos orais  podem também ser trabalhados no
processo de alfabetização, com o objetivo de desenvolver a consciência
fonológica das crianças por meio do reconhecimento de rimas e
aliterações.

O aprendizado da escrita
Os meninos e as meninas, sobretudo os que vivem nos centros
urbanos, encontram-se imersos num mundo povoado de escritos e
participam de práticas sociais de  leitura e escrita. Dessa maneira,
convivem em um contexto de letramento. Mesmo os que moram na zona
rural já foram tocados de alguma forma pelos meios de comunicação e,
em geral, já presenciaram muitos atos de leitura e escrita. Assim, essas
crianças são desafiadas a interagir com diferentes tipos de textos, o que
os possibilita desde cedo a compreensão das funções da escrita, dando
início ao processo de aprendizagem desse conhecimento. Só que eles
aprendem diferentes coisas e por caminhos diversos.
Você pode estar se peguntando:  “Mas como farei para ensinar o
grupo de trinta crianças com as  quais trabalho?”, “Qual o melhor
método?”.
Ao relembrar seu próprio processo de alfabetização, certamente,
ocorreu-lhe o método pelo qual você aprendeu, cartilha, livro etc., ou
mesmo, a lembrança de sua primeira professora. Boas e/ou más
recordações devem ter povoado suas reminiscências.
Até muito recentemente, acreditava-se que para a criança aprender a
ler e a escrever era preciso ter a maturidade necessária e antes
desenvolver a coordenação motora fina, as percepções visual, auditiva,
olfativa e tátil, a linguagem oral e a coordenação vasomotora

        O conjunto dessas habilidades, antes consideradas indispensáveis ao
aprendizado da leitura e da escrita, era constituído de atividades
repetitivas, denominadas preparatórias. Esse trabalho era, em geral,
desenvolvido na educação infantil ou nos primeiros meses da escolaridade
formal, e era costume chamá-lo de período preparatório ou de período de
prontidão.
Era comum o trabalho de alfabetização propriamente dito ter início
com a cópia do desenho das vogais, suas junções formando palavras
monossilábicas, o aparecimento das  consoantes, a junção destas às
vogais formando sílabas e palavras. Finalmente, eram trabalhadas frases
e pequenos textos, sempre com o predomínio da família silábica que se
queria enfatizar.
 
Havia outros métodos para ensinar a ler e a escrever, mas as
concepções predominantes apontavam  para a leitura e a escrita como
objeto de conhecimento controlado pela escola, que deveria ser
trabalhado em “doses homeopáticas”. Os métodos de alfabetização,
sintéticos ou analíticos, partindo de fonemas, letras ou sílabas, de
palavras ou frases, tinham sempre o pressuposto de que todas as crianças
deveriam aprender as mesmas coisas num mesmo tempo, num mesmo
ritmo e da mesma maneira.
Embora em algumas escolas do nosso país ainda persistam essas
crenças, a partir da década de 1980, houve, no terreno da alfabetização,
várias conquistas que nos ajudam  a compreender a complexidade do
processo de aprendizagem da leitura e da escrita.
Nos próximos artigos serão aprofundadas algumas dessas questões,
em particular as pesquisas em Psicolinguística realizadas por Emília
Ferreiro e seus colaboradores; que, com base nos estudos de Jean
Piaget, descrevem a trajetória da criança desde os primeiros contatos com
a linguagem escrita até a descoberta do sistema alfabético. Esses estudos,
ao contrário dos anteriores, que se preocupavam com a melhor maneira
de ensinar, têm o foco na criança e nas suas formas de aprender.
Outra conquista dos anos 1980 foi  a ampliação do conceito de
alfabetização a partir do entendimento do conceito de letramento e de sua
incorporação definitiva nas discussões sobre o aprendizado da linguagem
escrita.
Também foi nesse período que os estudos de linguística começaram a
contribuir efetivamente para a compreensão do ensino da linguagem
escrita, notadamente da alfabetização. Da mesma maneira a
sociolingüística, as neurociências  e a antropologia vêm produzindo
conhecimentos que nos ajudam na compreensão desse processo.
O conjunto desses estudos mostra que a linguagem escrita é um
objeto de conhecimento complexo e dinâmico, cuja aprendizagem envolve
a construção e a reconstrução de vários aspectos: funcionais, textuais,
gráficos e os relativos ao sistema alfabético de representação.


Fonte de pesquisa:
Alfabetização e Letramento
www.scipione.com.br/letramento


Técnicas experimentais


Na prática cotidiana da psicolinguística, a utilização de técnicas experimentais de pesquisa torna-se fundamental. Tais técnicas podem ser agrupadas, para efeitos descritivos, em tarefas on-line e off-line, que constituem técnicas capazes de capturar evidências do processamento linguístico no curso de tarefas de leitura/audição de frases – isto é, no momento do processamento propriamente dito, fora da consciência do sujeito em teste (online) –, e após o processamento, no momento interpretativo, em que fatores semânticos, pragmáticos e extralinguísticos e a própria consciência linguística do sujeito já se encontram ativados (off-line).

A metodologia on-line engloba experimentos como a leitura/audição automonitorada, em que os sujeitos participantes do teste controlam a velocidade de sua leitura/audição através de uma caixa de botões acoplada a um computador (ou de um teclado), que registra o tempo despendido na tarefa. Nesse tipo de experimento, as frases-estímulo são apresentadas aos sujeitos na tela de um computador (input escrito) ou num fone de ouvido (input oral). As frases-estímulo são sempre divididas em alguns fragmentos, chamados segmentos. Esses segmentos codificam diversas variáveis e podem isolar constituintes sintáticos (como estruturas ambíguas, por exemplo). O tempo despendido em cada segmento é registrado e gravado por um programa de computador. Com a medição do tempo de leitura/audição de cada segmento, torna-se possível a avaliação do efeito, no processamento linguístico, de uma série de variáveis independentes. Por exemplo, é possível confrontar o tempo de audição/leitura do sujeito de uma sentença quando em posição de tópico e quando em posição canônica de sujeito, verificando se numa ou noutra posição a audição/leitura é mais rápida, o que pode ser interpretado como indício de maior facilidade no processamento. Esse é um exemplo de estudo realizado por Kenedy (2009) sobre a realidade psicológica das estruturas de tópico e de sujeito no português brasileiro.

Também o rastreamento ocular (eye-tracking) é um protocolo experimental on-line. Com, um aparelho, o rastreador ocular, é possível que o pesquisador meça, com precisão em milésimos de segundos, os movimentos dos olhos que ocorrem quando uma pessoa lê um texto ou observa uma imagem. De acordo com os padrões de fixação de olhar durante a leitura, é possível identificar processos mentais de processamento da leitura.

Com as técnicas off-line, é possível verificar como os sujeitos reagem a certas estruturas linguísticas, tanto em termos de respostas a perguntas interpretativas, quanto em termos de julgamento imediato de gramaticalidade, ou ainda em termos de reativação/recuperação de palavras na memória de trabalho. Os testes com perguntas interpretativas são bastante simples. Consistem na apresentação de uma pergunta, que deve receber uma resposta objetiva sim ou não, logo após a leitura ou audição de uma frase-estímulo. Os índices de erros nas respostas em tarefas desse tipo podem indicar maior dificuldade no processamento de certo itens linguísticos.


Produzido por Eduardo Kenedy.

Compõe a sexta seção de um dos capítulos do livro Gêneros textuais e linguagem: diálogos abertos. 

KENEDY, E. Gêneros textuais e psicolinguística: caminhos para um diálogo. In: Simone Aranha; Tânia Pereira; Maria de Lourdes Almeida. (Org.). Gêneros textuais e linguagem: diálogos abertos. João Pessoa: Ed. Universitária da UFPB, 2009.



Metodologia da Psicolinguística


Para identificar e analisar os processos subjacentes da compreensão e produção da linguagem, a Psicolinguística utiliza-se de métodos científicos.

GODOY e SENNA, no livro Psicolinguística e Letramento, elencam três métodos psicolinguísticos que favorecem os estudos nessa área.

São eles:

- MÉTODO OBSERVACIONAL: que consiste na observação do comportamento linguístico do sujeito, que através de gravações ocultas, são pesquisadas as atividades verbais em momentos contextualizados.

- MÉTODO EXPERIMENTAL: baseado em uma hipótese, o método é empregado deduzindo o tipo de consequências empíricas que a hipótese prediz. A manipulação de eventos e resultados é impossível dentro do método experimental, portanto, não pode ser aplicado nos estudos de produção de linguagem.

- MÉTODO DA SIMULAÇÃO COGNITIVA: através de representações simbólicas e regras computacionais, simula-se com um modelo de atuação humana a produção de linguagem e sua compreensão. 

A abordagem psicolinguística leva em consideração as capacidades psicofisiológicas do indivíduo, baseadas em seu conhecimento individual dentro do ambiente social em que vive.


Retirando com adaptações do Blog Espaço Terapia, de Cecilia de Fazzio – Psicopedagoga e Terapeuta.


Cecília de Fazzio utilizou-se da fonte de pesquisa: Psicolinguistica e Letramento, de Elena Godoy e Luiz Senna. Ed. Ibepex.


Imagem disponível em: <http://blogpsicologando.com/tag/psicologia/> Acesso em: 16 set 2013.