Aqui tentaremos abordar
um assunto dentro da Psicolinguística, a aquisição da linguagem. Quais os
fatores que contribuem no momento do "aprendizado" da linguagem.
A linguagem
é considerada a primeira forma de socialização da criança e, na maioria das
vezes, é efetuada explicitamente pelos pais através de instruções verbais
durante atividades diárias, assim como através de histórias que expressam
valores culturais. A socialização através da linguagem pode ocorrer também de
forma implícita, por meio de participação em interações verbais. Desta forma,
através da linguagem a criança tem acesso, antes mesmo de aprender a falar, a
valores, crenças e regras adquirindo os conhecimentos de sua cultura. A medida
que a criança se desenvolve, seu sistema sensorial, incluindo a visão e
audição, se torna mais refinado e ela alcança um nível lingüístico e cognitivo
mais elevado, enquanto seu campo de socialização se estende, principalmente
quando ela entra para escola e tem maior oportunidade de interagir com outras
crianças.
Uma
breve descrição histórica sobre o início dos estudos sobre aquisição da
linguagem nos mostra que o primeiro registro data do século XIX, fase da
Lingüística Histórica e Gramática Comparada, passa por Saussure e Bloomfield na
primeira metade do século XX, e, em seguida, depara-se com Chomsky e a Teoria
Gerativa Transformacional. Neste contexto, nascem a Sociolingüística e a
Psicolingüística, da qual se recorta a Aquisição da Linguagem, área que mistura
Psicologia, Lingüística, Epistemologia Genética, Etnologia e Psicanálise.
"Steven
Pinker em seu livro chamado "O Instinto da Linguagem: como a mente cria a
linguagem", explica tudo sobre a linguagem como funciona, como as crianças
aprendem, como ela muda, como o cérebro a computa e como ela evoluiu. Com o uso
de exemplos cotidianos, Pinker diz que: "linguagem é um instinto humano
instalado em nosso cérebro, ou seja, "existe um dispositivo que é ativado
na mente quando a criança alcança certa idade, por isso lembramos apenas de
certo momento de nossa infância" (LORANDI, 2008).
Segundo o pensamento empirista a mente não era
considerada fundamental para justificar como acontecia a aquisição, o que
importava para eles era o conhecimento humano que era produzido através com o
mundo, através de estimulo resposta.
Já os
racionalistas diferentes dos empiristas atribuem a mente à responsabilidade
pela aquisição da linguagem, eles acreditam que: todo individuo nasce com uma
capacidade inata.
A teoria
inatista deixa de lado o papel do conhecimento na aprendizagem da língua da
criança cabendo a outras teorias nesse estudo, como as teorias cognitivistas e
interacionalistas.
Essas
teorias convergem e diverge ente si, ambas construtivistas, as duas partem do
mesmo de que as crianças constroem a linguagem, porém, diferem de como elas
contraem essa linguagem.
Segundo Chomsky: "havia uma pobreza de
estímulos e, portanto, a criança não poderia adquirir a linguagem através do
meio social. Porem sabemos que para a língua ser adquirida é necessário um
estimulo e com certeza um fator social, é o estimulo resposta".
É
através da linguagem que a criança tem acesso a valores crenças e regras,
adquirindo os conhecimentos de sua cultura. Se levarmos em consideração a
aquisição da linguagem na língua escrita, vamos perceber que jovens e adultos
levam para sala de aula toda a experiência que vem da oralidade, eles convivem
com diferentes tipos de escrita com as quais eles se deparam na rua. Alem de
conviverem com esses diferentes tipos de escrita, tem ainda a oralidade que
influencia bastante na forma como eles escrevem.
Podemos
apontar uma grande dificuldade para o acesso ao funcionamento da escrita e sua
diferença com a oralidade, o que percebemos é que muitos indivíduos por
influencia da oralidade falam da mesma forma que escrevem. O jovem e o adulto,
ao iniciar seu processo de alfabetização, já dominam a fala e pode ser
considerado um falante nativo, com grande domínio da língua.
O
processo de aquisição da linguagem é bastante complexo e envolve uma rede de
neurônios distribuída entre diferentes regiões cerebrais.
O
cérebro é um órgão dinâmico que se adapta constantemente as novas informações.
Como resultado, as áreas envolvidas na linguagem de um adulto podem não ser as
mesmas envolvidas na criança, é possível que algumas zonas do cérebro sejam
usadas apenas durante o período de desenvolvimento da linguagem.
Em
pesquisas observou-se que as dificuldades de aquisição da linguagem existem
devido a interferência de alguns distúrbios como a dislexia; um atraso
congênito de desenvolvimento ou diminuição na capacidade de traduzir sons e
símbolos gráficos e compreender o material escrito.
Vários
são os fatores que descrevem as causas da dislexia entre eles, déficits
cognitivos, fatores neurológicos, prematuridade, influências genéticas e
ambientais. As dislexias podem ser divididas em dois tipos: central e
periférica. Na central ocorre o comportamento do processo lingüísticos dos
estímulos, alterações no processo de conversão da ortografia para fonologia.
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