segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Aquisição da linguagem



Aqui tentaremos abordar um assunto dentro da Psicolinguística, a aquisição da linguagem. Quais os fatores que contribuem no momento do "aprendizado" da linguagem.
           A linguagem é considerada a primeira forma de socialização da criança e, na maioria das vezes, é efetuada explicitamente pelos pais através de instruções verbais durante atividades diárias, assim como através de histórias que expressam valores culturais. A socialização através da linguagem pode ocorrer também de forma implícita, por meio de participação em interações verbais. Desta forma, através da linguagem a criança tem acesso, antes mesmo de aprender a falar, a valores, crenças e regras adquirindo os conhecimentos de sua cultura. A medida que a criança se desenvolve, seu sistema sensorial, incluindo a visão e audição, se torna mais refinado e ela alcança um nível lingüístico e cognitivo mais elevado, enquanto seu campo de socialização se estende, principalmente quando ela entra para escola e tem maior oportunidade de interagir com outras crianças.
         Uma breve descrição histórica sobre o início dos estudos sobre aquisição da linguagem nos mostra que o primeiro registro data do século XIX, fase da Lingüística Histórica e Gramática Comparada, passa por Saussure e Bloomfield na primeira metade do século XX, e, em seguida, depara-se com Chomsky e a Teoria Gerativa Transformacional. Neste contexto, nascem a Sociolingüística e a Psicolingüística, da qual se recorta a Aquisição da Linguagem, área que mistura Psicologia, Lingüística, Epistemologia Genética, Etnologia e Psicanálise.
"Steven Pinker em seu livro chamado "O Instinto da Linguagem: como a mente cria a linguagem", explica tudo sobre a linguagem como funciona, como as crianças aprendem, como ela muda, como o cérebro a computa e como ela evoluiu. Com o uso de exemplos cotidianos, Pinker diz que: "linguagem é um instinto humano instalado em nosso cérebro, ou seja, "existe um dispositivo que é ativado na mente quando a criança alcança certa idade, por isso lembramos apenas de certo momento de nossa infância" (LORANDI, 2008).
Segundo o pensamento empirista a mente não era considerada fundamental para justificar como acontecia a aquisição, o que importava para eles era o conhecimento humano que era produzido através com o mundo, através de estimulo resposta.
         Já os racionalistas diferentes dos empiristas atribuem a mente à responsabilidade pela aquisição da linguagem, eles acreditam que: todo individuo nasce com uma capacidade inata.
         A teoria inatista deixa de lado o papel do conhecimento na aprendizagem da língua da criança cabendo a outras teorias nesse estudo, como as teorias cognitivistas e interacionalistas.
         Essas teorias convergem e diverge ente si, ambas construtivistas, as duas partem do mesmo de que as crianças constroem a linguagem, porém, diferem de como elas contraem essa linguagem.
Segundo Chomsky: "havia uma pobreza de estímulos e, portanto, a criança não poderia adquirir a linguagem através do meio social. Porem sabemos que para a língua ser adquirida é necessário um estimulo e com certeza um fator social, é o estimulo resposta".
         É através da linguagem que a criança tem acesso a valores crenças e regras, adquirindo os conhecimentos de sua cultura. Se levarmos em consideração a aquisição da linguagem na língua escrita, vamos perceber que jovens e adultos levam para sala de aula toda a experiência que vem da oralidade, eles convivem com diferentes tipos de escrita com as quais eles se deparam na rua. Alem de conviverem com esses diferentes tipos de escrita, tem ainda a oralidade que influencia bastante na forma como eles escrevem.
         Podemos apontar uma grande dificuldade para o acesso ao funcionamento da escrita e sua diferença com a oralidade, o que percebemos é que muitos indivíduos por influencia da oralidade falam da mesma forma que escrevem. O jovem e o adulto, ao iniciar seu processo de alfabetização, já dominam a fala e pode ser considerado um falante nativo, com grande domínio da língua.
         O processo de aquisição da linguagem é bastante complexo e envolve uma rede de neurônios distribuída entre diferentes regiões cerebrais.
         O cérebro é um órgão dinâmico que se adapta constantemente as novas informações. Como resultado, as áreas envolvidas na linguagem de um adulto podem não ser as mesmas envolvidas na criança, é possível que algumas zonas do cérebro sejam usadas apenas durante o período de desenvolvimento da linguagem.
         Em pesquisas observou-se que as dificuldades de aquisição da linguagem existem devido a interferência de alguns distúrbios como a dislexia; um atraso congênito de desenvolvimento ou diminuição na capacidade de traduzir sons e símbolos gráficos e compreender o material escrito.
         Vários são os fatores que descrevem as causas da dislexia entre eles, déficits cognitivos, fatores neurológicos, prematuridade, influências genéticas e ambientais. As dislexias podem ser divididas em dois tipos: central e periférica. Na central ocorre o comportamento do processo lingüísticos dos estímulos, alterações no processo de conversão da ortografia para fonologia.


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