O cérebro, até os 4 anos de idade, funciona como uma
biblioteca. Quando o bebê nasce, começam a chegar os livros – informações e
experiências –, mas ainda não há ninguém para organizar o material. Isso porque
o hipocampo, parte responsável pela memória de longa duração, não está
completamente desenvolvido. O "amadurecimento" acontece entre 4 e 6
anos. Ele será, então, a bibliotecária. Antes da formação do hipocampo, a criança pode até aprender palavras em inglês, decorar a tabuada e o nome das letras do alfabeto, mas não vai conseguir se lembrar depois. "Não faz sentido, então, bombardeá-la com informações, já que elas vão se perder", diz o doutor em Física Médica Marcelo Mazza, especialista em redes neurais.
Até os 6 anos, explica Mazza, a criança aprende diferentes línguas de maneira uniforme, como se elas fossem um pudim. "Se for exposta a três idiomas, as relações semânticas e sintáticas de todos estarão integradas, e ela terá facilidade de usar os três ao mesmo tempo", diz. Depois dos 6, cada língua é separada em uma estrutura diferente. "Em vez do pudim, temos waffers", afirma o especialista. Cada idioma novo faz interface com o antigo, em camadas. Por exemplo: se você aprende inglês, a interface será com o português. Se, mais tarde, você aprende francês, a interface será com o inglês, não com o português. É por isso que, no curso de francês, por exemplo, você se lembra primeiro da palavra em inglês, para depois lembrar dela em português.
Com o passar do tempo, o cérebro se "compromete" com a língua materna, dificultando o aprendizado de outro idioma. E, se aprendermos um segundo idioma, teremos facilidade no próximo, pois o cérebro já "descobriu" que existem outras possibilidades de estruturar frases. Então, quanto antes seu filho estudar uma nova língua, melhor? Não. A janela de oportunidades, como os cientistas chamam o período mais propício para aprender algo, no caso, línguas, é ampla – vai até a puberdade. Assim, a criança que iniciou o curso de inglês aos 8 anos não está em desvantagem em relação àquela que estuda o idioma desde os 6 anos, por exemplo. Por isso, não há por que acelerar o passo do seu Einstein das línguas.
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