Na prática cotidiana da
psicolinguística, a utilização de técnicas experimentais de pesquisa torna-se
fundamental. Tais técnicas podem ser agrupadas, para efeitos descritivos, em
tarefas on-line e off-line, que constituem técnicas
capazes de capturar evidências do processamento linguístico no curso de tarefas
de leitura/audição de frases – isto é, no momento do processamento propriamente
dito, fora da consciência do sujeito em teste (online) –, e após o
processamento, no momento interpretativo, em que fatores semânticos, pragmáticos
e extralinguísticos e a própria consciência linguística do sujeito já se
encontram ativados (off-line).
A metodologia on-line engloba experimentos como a
leitura/audição automonitorada, em que os sujeitos participantes do teste
controlam a velocidade de sua leitura/audição através de uma caixa de botões
acoplada a um computador (ou de um teclado), que registra o tempo despendido na
tarefa. Nesse tipo de experimento, as frases-estímulo são apresentadas aos sujeitos
na tela de um computador (input escrito) ou num fone de ouvido (input oral). As
frases-estímulo são sempre divididas em alguns fragmentos, chamados segmentos.
Esses segmentos codificam diversas variáveis e podem isolar constituintes
sintáticos (como estruturas ambíguas, por exemplo). O tempo despendido em cada
segmento é registrado e gravado por um programa de computador. Com a medição do
tempo de leitura/audição de cada segmento, torna-se possível a avaliação do
efeito, no processamento linguístico, de uma série de variáveis independentes.
Por exemplo, é possível confrontar o tempo de audição/leitura do sujeito de uma
sentença quando em posição de tópico e quando em posição canônica de sujeito,
verificando se numa ou noutra posição a audição/leitura é mais rápida, o que
pode ser interpretado como indício de maior facilidade no processamento. Esse é
um exemplo de estudo realizado por Kenedy (2009) sobre a realidade psicológica
das estruturas de tópico e de sujeito no português brasileiro.
Também o rastreamento ocular
(eye-tracking) é um protocolo experimental on-line.
Com, um aparelho, o rastreador ocular, é possível que o pesquisador meça, com
precisão em milésimos de segundos, os movimentos dos olhos que ocorrem quando
uma pessoa lê um texto ou observa uma imagem. De acordo com os padrões de
fixação de olhar durante a leitura, é possível identificar processos mentais de
processamento da leitura.
Com as técnicas off-line, é possível verificar como os
sujeitos reagem a certas estruturas linguísticas, tanto em termos de
respostas a perguntas interpretativas, quanto em termos de julgamento imediato
de gramaticalidade, ou ainda em termos de reativação/recuperação de palavras na
memória de trabalho. Os testes com perguntas interpretativas são bastante simples.
Consistem na apresentação de uma pergunta, que deve receber uma resposta
objetiva sim ou não, logo após a leitura ou audição de uma frase-estímulo. Os
índices de erros nas respostas em tarefas desse tipo podem indicar maior
dificuldade no processamento de certo itens linguísticos.
Produzido por Eduardo Kenedy.
Compõe a sexta seção de um dos capítulos do livro Gêneros textuais e linguagem: diálogos abertos.
KENEDY, E. Gêneros textuais e
psicolinguística: caminhos para um diálogo. In: Simone Aranha; Tânia Pereira; Maria
de Lourdes Almeida. (Org.). Gêneros textuais e linguagem: diálogos abertos.
João Pessoa: Ed. Universitária da UFPB, 2009.
Disponível em: <http://www.professores.uff.br/eduardo/artigos_arquivos/generostextuais_2009.pdf>
Acesso em: 17 set 2013.
Imagem disponível em: <http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicologo.jpg> Acesso em: 17 set 2013.
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